A HISTÓRIA DAS COISAS (imperdível !!)

18 Maio, 2008 at 14:09 (Comportamento, Ecologia profunda, Economia, Educação Ambiental, Pegada Ecológica, Poluição, Reciclagem, Saúde, Sua Casa, Tecnologia, Vídeos)

Vale a pena gastar vinte minutinhos e assistir a este vídeo:

LINK: A HISTÓRIA DAS COISAS

Deixe o blog de lado por alguns momentos. Assista e reflita.

Sinopse:

O que é a História das Coisas? … Desde a sua extração até à venda, uso e disposição, todas as coisas que compramos e usamos na nossa vida afetam as sociedade no nosso país em outros países, mas a maioria disto é propositadamente escondido dos nossos olhos pelas empresas e políticos. A História das Coisas é um documentário de 20 minutos, rápido e repleto de fatos, que olha para o interior dos padrões do nosso sistema de extração, produção, consumo e lixo. A História das Coisas expõe as conexões entre um enorme número de importantes questões ambientais e sociais, demonstrando que estamos destruindo o mundo e auto destruindo-nos, e assim apela a criarmos um mundo mais sustentável e justo para todos e para o planeta Terra. Este documentário vai nos ensinar algo, e acabará por mudar para sempre a maneira como olhamos para todas as coisas que existem na nossa vida e que CONSUMIMOS.

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Conhecimento com consciência

18 Maio, 2008 at 11:56 (Comportamento, Ecologia profunda)

Conhecimento com Consciência: forma de saber viver

Por Regina Migliori*

Está acontecendo uma mudança radical na relação entre as pessoas, na relação com o mundo. Alguns já entenderam isso; outros, entendendo ou não, estão sendo obrigados a assimilar as mudanças.

Há 300 anos um filósofo anunciou: “penso, logo existo”. E isso bastava. No século XVII, pensar era sinônimo de raciocinar. No século XXI, pensar é uma atividade estimulada por múltiplas inteligências e dimensões humanas, não só o raciocínio. Hoje a frase é outra: “existo, e por isso penso, sinto, experimento e ainda imagino um infinito de possibilidades.”

O “pensar” adotado no século XVII vingou até muito pouco tempo. Uma relação com o mundo enraizada exclusivamente na estrutura do pensamento lógico. Um jeito de lidar com a vida que parte do princípio de que é possível compreender cada aspecto da realidade separadamente, e lidar com ele de forma satisfatória. Esta postura deu origem a uma arrumação do conhecimento em disciplinas, as mesmas que se estuda na escola. E assim surgiu a separação das diferentes áreas de atuação, as diferentes profissões, que se tornaram responsáveis pela maneira como nos relacionamos com a gente mesmo, com o trabalho, filho, marido, política, esporte, e tudo mais.

As disciplinas resultam de uma visão de mundo exclusivamente lógica e racional, que organiza a vida em partes para poder lidar com cada uma delas separadamente. Isso é o que hoje chamamos de fragmentação da realidade.

Todo mundo já passou pela experiência de lidar com um especialista, aquela criatura que sabe tudo sobre uma coisa só. Vá ao ortopedista, que receita um remédio para o joelho, que provoca uma gastrite, e aí você consulta um gastro, que prescreve uma medicação que dá lhe alergia. E nenhum deles consegue resolver seu problema na totalidade, nem deixar de causar outro com o qual também não sabe lidar.

É também o que ocorre a uma nação que para gerar desenvolvimento econômico promove a destruição da natureza, compromete a evolução da vida (a nossa inclusive) e nos coloca diante do atual desafio de criar um modelo de vida sustentável.

Não se trata de defeito ou falta de competência. É o resultado da tal fragmentação. Não há nenhum problema em fazer isso, contanto que não se esqueçam que depois de separar, é preciso recuperar a natural totalidade, pois a vida não acontece “em separado”. E como é que se junta tudo isso de novo?

É aí que entra a importância do que se entende por “pensar” e “existir”. Se no século XVII nossa existência estava vinculada a uma relação exclusivamente racional com a vida, hoje ela tem um significado múltiplo.

Trazemos em nós diferentes inteligências e múltiplas dimensões humanas, não só a racional. Todas elas produzem conhecimento e lidam com a riqueza de experiências que a vida oferece. A relação com a vida se ampliou. E como ficam as disciplinas, organizadas em diferentes áreas de atuação completamente separadas? Dessa forma, não ficam. Não há mais espaço para este tipo de visão de mundo. Por uma razão muito simples: ela não dá conta do que estamos vivendo. No século XVII servia. Hoje, não serve mais.

Temos o desejo de ultrapassar um modelo que não é de todo ruim, mas não dá conta do que temos para fazer. Desta necessidade de reintegrar, reaproximar o que foi artificialmente separado na nossa relação com o mundo, surgiram diferentes esforços.

Um primeiro esforço foi a multidisciplinaridade. Como o nome já diz, são as disciplinas que se aproximam em torno de um mesmo objetivo. Os diferentes especialistas que se reúnem para oferecer, em um mesmo projeto, as diferentes contribuições das disciplinas que representam. Não são as pessoas que contribuem, são suas áreas de especialidade. Um tipo de contribuição produzido por um fragmento humano, somente pela dimensão racional que gerou o modelo das disciplinas, de forma isolada e separada.

Todos conhecem o que é uma equipe multidisciplinar: se tenho que construir uma escola, chamo o arquiteto, o engenheiro, a pedagoga, os professores, gestores, e cada um
oferece sua contribuição de forma específica, a partir da sua área de conhecimento e atuação.

Outro esforço para reaproximar o que o tal modelo cartesiano separou, é a interdisciplinaridade. É a tentativa de integrar métodos e conceitos de uma disciplina para outra. Veja bem, integrar métodos e conceitos produzidos pela dimensão racional. É um esforço válido e relevante, porém ainda subordinado a uma noção de conhecimento que só contempla a lógica racional..

E aí surge a transdisciplinaridade, um esforço de reaproximação com a vida, sugerido nas últimas décadas do século XX.

“Trans” significa ir além. Transdisciplinaridade significa ir além das disciplinas. Ultrapassar um modelo racional que organizou não só as disciplinas, mas também o jeito como lidamos com nosso dia-a-dia.

Este modelo “trans” abre espaço para nossas múltiplas inteligências, para as diferentes dimensões humanas, do orgânico ao espiritual, passando pelo racional, emocional, social, cultural, planetário. Tudo o que em nós é também vivo e inteligente.

Alargando a noção de inteligência, mudamos também o jeito de produzir conhecimento. Amplia-se a forma como vivemos, trabalhamos, nos relacionamos. Amplia-se a nossa capacidade de manter uma atitude aberta, de respeito mútuo, uma postura de reconhecimento em que não há lugar para espaços culturais privilegiados, onde seja permitido julgar e hierarquizar como mais correto ou mais verdadeiro qualquer sistema de relação com a realidade. A relação não se dá entre disciplinas, e sim entre pessoas, com tudo o que elas sabem, sentem, pensam e fazem. Não é só plugar em um pedacinho delas. Trata-se de se relacionar com as pessoas na sua integridade inteligente que produz conhecimento.

Uma ação transdisciplinar é na sua essência transcultural, contempla diferentes modos de viver e estar no mundo. Mais ainda, não se esgota em argumentos produzidos somente pela dimensão racional. Inclui emoções, sentimentos, dúvidas, imaginação, intuição, e também a experiência concreta. Numa tentativa de descrever a riqueza deste jeito de ser, podemos dizer que é uma experiência onde somos ao mesmo tempo cientistas, filósofos, artistas e místicos.

Praticar a transdisciplinaridade é ser capaz de, ao mesmo tempo, explicar o mundo com a lógica de um cientista, questiona-lo com as dúvidas de um filósofo, percebe-lo com a sensibilidade intuitiva de um artista, e experimentar cada momento da vida com a profundidade de quem vive intensamente um magnífico ritual de uma grande tradição. Arte, ciência, filosofia e tradições – este é um circuito transdisciplinar percorrido na construção da nossa trajetória no mundo.

Não é só uma multiplicidade de experiências. Trata-se de acessar a multiplicidade de seres que somos, pensando, sentindo, trabalhando, lidando com a vida. É a unidade na diversidade - na prática.

Descartes que me perdoe, mas esta riqueza de dimensões humanas é mais viva e real do que só raciocinar.

Este jeito transdisciplinar de viver, que acolhe em pé de igualdade nossas diferentes inteligências, do orgânico ao espiritual, oferece suporte para os desafios atuais. É a visão sistêmica do próprio conhecimento, necessária para se inventar um modo de vida um pouco melhor: mais feliz, mais harmônico, mais competente, e mais viável no planeta e no nosso dia-a-dia.

Uma forma de produzir conhecimento que agrega à dimensão lógica uma boa dose de valores universais como amor, paz e não-violência. Um saber comprometido com o bem-comum, com o respeito pela diversidade inerente à natureza e à humanidade.

Esta nova produção de conhecimento gera profundos impactos na realidade. O modelo adotado para o conhecimento determina um modo de vida, e vice-versa. É melhor acreditarmos logo nisso, enquanto ainda há tempo, e modificarmos rapidamente a forma como educamos a nós, aos nossos filhos e aos que nos rodeiam. Não há como transformar o mundo sem transformar a maneira como nos conhecemos, evoluímos e nos inserimos no mundo.

* Regina Migliori é educadora, advogada, escritora, pioneira no Brasil em projetos de Educação e Gestão centrados em Valores, Ética e Sustentabilidade. Como Diretora Presidente do Instituto Migliori, tem realizado projetos junto a governos, empresas, e instituições de educação. Coordenou o MBA em Gestão com foco em Ética, Valores e Sustentabilidade na Fundação Getúlio Vargas. Estão entre seus clientes: Governo do Estado de Minas Gerais, UNESCO; Polícia Militar do Estado de São Paulo; Banco Real, Grupo Votorantim, Natura, entre outros; é autora de livros, CD-Rom, e programas de e-learning.
(Envolverde/Mercado Ético)

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O preço da sustentabilidade: porque as opções alternativas são geralmente mais caras?

18 Maio, 2008 at 11:53 (Alimentos, Economia, Sua Casa)

texto de Francisco Jardim

que me enviou o seguinte e-mail:

Olá sou Jornalista e atualmente trabalho como freelancer oferecendo serviços de comunicação à Ongs de Brasília e empresas sustentáveis.

Estou aqui para enviar um artigo como colaborador. Se houver interesse por favor publiquem o mesmo.Me avise se isto acontecer.Grato,
Francisco Jardim

Por que as opções alternativas, geralmente são mais “caras”?

Por Francisco Jardim

Outro dia enviaram uma divulgação ao grupo de e-mail do qual eu participo. Era sobre um curso de Bioconstrução oferecido por uma ONG de Brasília, www.ipoema.org.br O curso além de oferecer a oportunidade de aprendizado prático e teórico em quatro tecnologias alternativas de construção: ferrocimento, superadobe, cordwood e mosaico, também oferecia área de camping e 3 refeições diárias, com alimentos orgânicos. Um dos participantes da lista questionou porque os cursos de permacultura são tão caros?

Eu particularmente, considero que 3 dias de curso e estadia por R$300,00 é um preço justo e que o fato de não podemos pagar uma coisa, não signifique que ela seja cara. Mas a indagação do internauta é válida, e nos leva a refletir porque as opções alternativas geralmente são mais caras?

Porque um copo descartável é mais barato que um de vidro? Porque vidro é um material mais nobre e sua produção é mais trabalhosa, ou seja, menos mecanizada. Com certeza, um copo de vidro gera mais distribuição de renda e menos poluição do que um copo de plástico.

Porque os alimentos orgânicos são mais caros que os outros? Isso não é bem verdade, já foi feita uma pesquisa e uma cesta de orgânicos estava mais barata que uma cesta com produtos similares comprada em um supermercado. É a lei da oferta e da procura, à medida que a procura por um produto é maior que sua oferta, a tendência natural é que o valor cobrado pelo produto suba, caso contrário, se a oferta de um produto é maior que sua procura, a tendência natural é que o valor cobrado pelo produto abaixe. Ou seja, no início os “alternativos” são mais caros, mais à medida que aumenta o consumo também aumenta o número de vendedores que investem nesta opção, então aumenta a oferta e achamos um preço de equilíbrio.

Outro ponto a favor dos alimentos orgânicos é que consumindo estes economizamos dinheiro com remédios no futuro.

Porque um sabonete de pupunha feito em uma comunidade é pelo menos o dobro do preço de um sabonete comum oferecido no mercado? O fato é que um sabonete comum é produzido a base de aditivos petroquímicos, proteína animal e em uma produção totalmente mecanizada. Ou seja, não são os “alternativos” que são mais caros é o resto que é forçosamente barato, pois visa a concentração de renda.

Ao comprarmos um produto/serviço barato fruto da exploração de mão de obra, ou da degradação da terra, estamos participando desta destruição. Estamos economizando o nosso dinheiro e gastando o nosso futuro. Enfim um produto para ser sustentável deve ter cuidado com a terra, com as pessoas envolvidas e ainda sim ser economicamente justo; e isso nem sempre é “barato”.

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Tristes e ignorantes trópicos

8 Fevereiro, 2008 at 0:04 (Comportamento, Desmatamento, Economia)

por Fábio Olmos* em O Eco.

07.02.2008

Há dias em que é difícil ter orgulho do Brasil. Entre 5 e 6 de dezembro duas notícias relacionadas acabaram com minha auto-estima tupiniquim. A primeira foi a divulgação dos resultados do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (PISA). Entre 56 países, o Brasil ficou 49º em Leitura. Entre os 57, ficou em 54º em Matemática e 52º em Ciências.

Conseqüência natural do modo de pensar de uma sociedade que, no fundo, despreza e suspeita do conhecimento – e escolheu um presidente que, sempre que pode, faz a apologia da ignorância. Não há surpresa também que o país viva um “apagão” de mão de obra. Que sobrem vagas sem que haja quem as preencha, como na notícia (também de dezembro) sobre as 40 faxineiras contratadas por indústrias de Cubatão, das quais 25 dispensadas por não saberem ler os rótulos dos produtos de limpeza.

Estudo do sociólogo Julio Waiselfisz (este divulgado em 20 de dezembro) mostra que, entre 1995 e 2005, a queda no conteúdo aprendido pelos alunos equivale a ter menos três anos de estudo no ensino fundamental. Se em 1995 já se aprendia pouco, hoje se aprende ainda menos.

Com o PISA, minha auto-estima como paulista também foi estraçalhada, pois o estado ficou em 11º na comparação nacional. Era esperado, já que tivemos secretários da educação que achavam classes especiais para superdotados “discriminação”, e inventaram uma versão podre da progressão continuada (usada pela Finlândia, campeã em Ciências e vice em Leitura e Matemática), notória por formar analfabetos treinados para vagabundear.

No nosso mundo darwiniano a educação deveria ser pavloviana, premiando os melhores alunos e professores e criando uma mentalidade competitiva, coisa por aqui que só é aceita com relação ao futebol. A primeira versão do Bolsa-Escola – trocando boas notas e freqüência por dinheiro na poupança - estava no caminho certo. Mas aqui preferimos cultuar a mediocridade e nivelar por baixo.

A educação é o grande atoleiro de um país fraturado em uma parte arcaica, conservadora, estatista, autoritária, que almeja “uma ajudinha” do governo, elege populistas e os que “roubam, mas fazem”. E em uma parte moderna, liberal, que pede que o Estado não atrapalhe se for não for ajudar, rejeita o “você sabe com quem está falando”, é meritocrática e condena a corrupção endêmica em que vivemos. Como argumentado no assustador livro sobre “A Cabeça do Brasileiro”, de Antonio Carlos Almeida, o grande divisor de águas dos dois Brasis é o ensino superior.

A segunda notícia desalentadora foi sobre os compadres de nosso Senado, instituição redundante sem a qual muitos países funcionam perfeitamente, que novamente se abstiveram de defenestrar Renan Calheiros - famoso por legar ao país de escândalos de corrupção a capas da Playboy. Nosso Senado, que definitivamente não se dá ao respeito, novamente assumiu que não se importa de ser a cara do Brasil arcaico.

No cenário atual, onde parcelas influentes da sociologia e da antropologia nacionais soam como centros acadêmicos dos anos 50 ou como a turma que invadiu a reitoria da USP, alguns dos melhores estudos sociais vêm da economia (já definida como subdisciplina da ecologia evolutiva humana). Em “Brasil – raízes do atraso”, Fabio Giambiagi aponta várias razões para nosso atraso. A melhor parte é sobre as raízes de nosso atraso – explicadas antes por Sérgio Buarque de Holanda do que por Marx.

“A aspiração à proteção, a suspeição ao êxito alheio, o ataque ao capitalismo, são todas manifestações que convergem para a mesma mediocridade: se o sucesso alheio é suspeito ou condenável, as frustrações e os fracassos serão absolvidos. Ao invés de cada cidadão ser treinado desde criança, na infância e na juventude, na família e na escola, para vencer na vida, ele será induzido a procurar meios para “se dar bem” mediante bons relacionamentos, e a tentar receber um fluxo de recursos públicos em bases regulares. No limite, nada dando certo, restará o consolo de ser considerado uma vítima. (pág. 205)”…. e:

Este resumo do Brasil, país de brasileiros, e não de brasilianos, explica porque os resultados do PISA são o que são. Também explica porque continuamos (nós, os contribuintes) a bancar subsídios perversos que historicamente alimentaram corruptos – via SUDAM, SUDENE, FNO, BASA, etc – e que são um dos motores da destruição da Amazônia (e de outros biomas). Também a razão pelas quais políticas assistencialistas privatizam unidades de conservação e o populismo elege presidentes.

E o porquê temos uma classe política “bem relacionada” que transforma o público em privado e, além de perene fonte de vergonha nacional, é o supra-sumo daquilo que Diogo Mainardi chama de boçalidade predatória.

A Alagoas de Renan Calheiros, um dos mais brasileiros dos Estados, tem alguns dos indicadores sociais e ambientais mais interessantes do Brasil. É o Estado com maior índice de analfabetismo entre maiores de 15 anos (29,5%), briga com o Maranhão do clã Sarney pelo posto de pior IDH, tem o pior índice de desenvolvimento da juventude, a menor renda média, a menor cobertura por esgotos, e a maior porcentagem de sua população abaixo da linha de pobreza (62,5%). Ignorância e pobreza caminham de mãos dadas, gerando um eleitorado fiel para políticos que atendem pelo rótulo de “tradicionais”.

Também é o único estado do país onde a expectativa de vida não cresceu na última década. De cada 100 mil jovens em Alagoas, 138 morrem assassinados, reflexos de uma peculiar cultura de violência, notavelmente da classe política (duas leituras interessantes: “O poder e a cultura de violência em Alagoas”, de Ruth Vasconcelos, e “Formação da riqueza e da pobreza de Alagoas”, de Fernando Lira, ambos da editora da UFAL).

Minha hipótese é que a situação de Alagoas tem bases culturais, junto a uma forte interface ambiental. Relativistas culturais dizem que todas as culturas humanas são equivalentes, mas, como listo acima, acho que há indicadores objetivos que podem mostrar se determinada cultura resulta em uma sociedade mais ou menos doente (em vários sentidos).

Alagoas já foi um território rico o suficiente para ser um motor da economia nacional, mas hoje tem um quadro deprimente apesar do seu desproporcional peso político em relação à sua economia e população. Afinal, Alagoas nos deu Fernando Collor, Heloisa Helena, Aldo Rebelo (o que quer banir o uso de anglicismos & cia) e Renan Calheiros. Não parece ter sido falta de musculatura política a razão da atual situação.

Já chamaram Alagoas de “nossa África”, por causa de seus indicadores sociais. A comparação é injusta, pois a África abriga algumas das áreas naturais mais bem conservadas e manejadas do mundo. Alagoas, na realidade, se aproxima mais do Haiti, a república quilombola que, de precursora da luta pela liberdade nas Américas se tornou exemplo de miséria associada à destruição ambiental.

Em nenhuma outra região a Mata Atlântica foi tão destruída como em Alagoas e no vizinho Pernambuco. Ambos abrigam os cacos do que já foi a parte mais singular da Mata Atlântica, o “centro de endemismo Pernambuco”, do qual resta hoje algo como 4,5% da área original. Alagoas talvez tenha 2-3% de sua Mata Atlântica original. Nenhum remanescente em toda região tem mais de 4 mil hectares (há) contínuos. Nenhum metro quadrado pode ser considerado primário. A fauna e flora que restam tentam sobreviver em fragmentos que, na maioria, têm menos de 100 ha e continuam a alimentar um consumo crescente de lenha e carvão por uma população empobrecida incapaz de comprar gás para cozinhar. E que continua a caçar tudo que se move para por na panela ou na gaiola.

Alagoas (como Pernambuco) está no centro de um processo de extinção em massa que só podemos documentar graças aos naturalistas trazidos pelos holandeses (hoje seriam chamados de biopiratas), e às expedições científicas de instituições como o Museu Nacional e o Museu de Zoologia da USP. Vários bichos retratados pelos holandeses há muito estão extintos na região, e alguns são hoje inidentificáveis, podendo representar espécies eliminadas antes que pudessem ser descritas cientificamente.

Surpresas às vezes acontecem, como a redescoberta do macaco-prego-loiro Cebus flavius, objeto de interessante polêmica, que ainda sobrevive em poucos fragmentos onde talvez possa ser salvo. Sorte que melhor que a de outra espécie que foi considerada mítica até sua redescoberta, o mutum-de-Alagoas.

A destruição ambiental em Alagoas resulta de ser uma das regiões onde o agronegócio brasileiro (não brasiliano) está em operação e controla a política há mais tempo, e sufocou a transição da economia agrária para a baseada na indústria, serviços e conhecimento. O que poderia gerar competidores políticos e uma sociedade mais moderna. Um Matarazzo nunca poderia surgir ali.

Desde o século XVI o agronegócio sucroalcooleiro corrói o que já foi Mata Atlântica, primeiro eliminando as matas das várzeas e, após a década de 1930, as de tabuleiro. Tanto para implantar novos cultivos como para produzir lenha queimada nas caldeiras das usinas, prática que persistiu até a década de 1990 embora usinas movidas a bagaço fossem realidade no Caribe mais de um século antes. Hoje, mais de 80% das terras agriculturáveis do estado são ocupadas por canaviais, que ao mesmo tempo em que, graças a isenções fiscais, respondem por menos de 2% da arrecadação de ICMS, principal forma de arrecadação estadual.

A história da destruição das florestas da região, e o incrível desperdício do processo, já foram contados em muitos trabalhos científicos e por autores como Warren Dean (“A Ferro e a Fogo”), Adelmar Coimbra-Filho e Ibsen de Gusmão Câmara (“Os Limites Originais da Mata Atlântica no Nordeste do Brasil”) e, mais recentemente, por José Alves Siqueira e Elton Leme no belo e triste “Fragmentos de Mata Atlântica do Nordeste”, farto em fotos reveladoras.

O grande pico da destruição aconteceu após 1975, com o advento do PROALCOOL – que o Molusco Iluminado está reeditando -, que colocou dinheiro na mão dos usineiros para que transformassem as florestas que restavam nas áreas marginais (e protegidas pelo Código Florestal) em novos canaviais. Os resultados deste ímpeto progressista são bem conhecidos, indo da perda de rios e córregos a alterações climáticas regionais que hoje fazem com que a água seja um fator limitante para a agricultura em uma região que já foi coberta por uma floresta muito similar à amazônica. O resultado é a baixa produtividade e falta de competitividade dos canaviais sem a muleta estatal.

A destruição da Mata Atlântica de Alagoas e a completa dominância do agronegócio na política e economia podem ter gerado progresso e renda para alguns, mas os indicadores sociais mostram que o completo descaso pela questão (e legislação) ambiental (mote de nosso setor agrícola, que acha isso entrave) passou longe de gerar progresso. Muito pelo contrário. A destruição foi o preço do atraso, não do progresso.

A educação teve tratamento similar ao meio ambiente, resultando em uma população capacitada apenas para cortar cana e cujo espelho está nos seus representantes, que aparecem no noticiário policial com freqüência deprimente (mais recentemente como protagonistas da Operação Taturana, uma das 184 feitas pela PF em 2007), seja por desviarem recursos públicos ou por se matarem uns aos outros.

Se fosse um país independente, sem transferências da União, é provável que Alagoas já tivesse implodido. Mas continua forte candidata a um capítulo de uma versão nacional de “Colapso”, a obra sócio-ambiental de Jared Diamond sobre as escolhas que sociedades fazem.

Usinas com administradores mais esclarecidos e ONGs como o IPMA (Instituto para Preservação da Mata Atlântica), hoje se empenham em correr atrás do prejuízo e conservar as matas em suas propriedades e mesmo conectar os fragmentos que restam em projetos de restauração ecológica, conservando tanto seus recursos hídricos como a biodiversidade que é de todos. Usinas como a Coruripe (dona de uma fantástica mata de pau-brasil) e a Serra Grande (onde está a melhor floresta de todo o Centro Pernambuco) são exemplos destas iniciativas. Infelizmente nem todos são tão civilizados, especialmente entre a classe política-pecuarista.

O clã Calheiros tem seu lugar de poder no município de Murici. O prefeito atual é filho de Renan, o irmão Remi ocupou o posto por oito anos e a atual secretária de ação social é a esposa do próprio. Desde 1991, o deputado federal da região é o outro irmão, Olavo. Murici responde pelo 4.994º IDH entre 5.500 municípios brasileiros. Dentre 25 mil habitantes, 15 mil são eleitores e 3.285 famílias estão cadastradas no Bolsa-Esmola (OESP 04/11/07 J3).

Seria de se esperar mais, mas uma imagem que resume a ópera e me marcou nas vezes que visitei Murici foi a da sede da fazenda Santo Aleixo, de Olavo Calheiros. Uma sede luxuosa com jardins tão iluminados à noite quanto uma entrega do Oscar, era cercada por casebres modelo pombal, o que tornava o conjunto forte candidato a uma foto de capa de Casa Grande e Senzala Reloaded.

Deixando de lado o dano que os políticos que elege causam às instituições públicas (o que é de interesse nacional), se não fosse pela Estação Ecológica homônima, Murici seria apenas mais um lugarejo irrelevante onde a população arca com as conseqüências de suas decisões eleitorais.

Primeiro aventada em 1979, mas decretada apenas em maio de 2001, após longa luta junto a um governo federal refratário, a ESEC Murici (6.116 ha) protegeria florestas nas encostas da Serra da Borborema onde quatro novas espécies de aves foram descobertas no fim da década de 1970-início da de 80. Posteriormente foram descobertas novas espécies de anfíbios, bromélias e uma jararaca, a mal-humorada e bela Bothrops muriciensis. Algumas nunca foram encontradas em outra parte. Além de uma biodiversidade única, não replicada em outras áreas, pelo menos 11 espécies de aves globalmente ameaçadas ocorrem ali.

Uma de minha lembranças memoráveis foi, uma manhã, estar acampado no que já foi o filé da ESEC (a Fazenda Bananeira) e observar um grupo de uma daquelas aves (a choquinha-de-alagoas Myrmotherula snowi) procurando alimento e cantando junto de minha rede. E logo depois ouvir, e conseguir atrair com play-back, o limpa-folha-de-alagoas Philydor novaesi, o mais raro entre as aves raras do país. Conheço gente que mataria por uma manhã assim.

Poucas (nenhuma ?) áreas podem ser consideradas tão importantes para a conservação de nossa biodiversidade, e as levas de turistas estrangeiros que visitavam Murici (mas se hospedavam em União dos Palmares por falta de hotéis decentes) iam ali tão somente para observar aquelas aves raras. Uma chance de diversificar a economia local que tem sido desprezada.

Infelizmente o governo federal não parece ter pressa com relação a proteger Murici. Enquanto alguns falavam em proteger a área, o INCRA foi rápido em cercá-la com assentamentos que consomem a madeira (e a proteína) retirada das florestas. Outro órgão federal, a Universidade Federal de Alagoas, tem uma base de pesquisas no interior da ESEC dedicada à seleção de variedades de cana (no resto do Brasil feita pela iniciativa privada interessada). Quando visitei o lugar, e seguindo o espírito da região, ali corria solta a extração de madeira. Apenas um punhado de funcionários, eternamente ameaçados de morte (estamos em Alagoas) tenta cuidar da ESEC, que continua sem ter um metro quadrado que seja de propriedade da União.

É interessante ver que a área que deveria ser a prioridade zero para ações do governo federal padece de abandono histórico, enquanto o MMA rasga dinheiro com reservas extrativistas, projetos quilombolas e outros estelionatos ambientais. É difícil não associar este descaso às figuras que são donas de terras abrangidas pela ESEC. O bom e velho “você sabe com quem está falando” em ação.

A história da Estação Ecológica de Murici daria um bom tema de tese ou tragi-romance, sendo farta de boas intenções, grandes frustrações e vários episódios deprimentes, como a fracassada tentativa do WWF de comprar parte da área para criar uma reserva (hoje parecem preferir vôos de balão). Ou Víctor Fasano, no distante Globo Ecologia de 13 de janeiro de 1991, pedindo que um recém-eleito Fernando Collor de Melo (cujo braço-direito político seria um certo Renan Calheiros) criasse a Estação Ecológica de Murici. É interessante que no ano anterior observadores de aves que visitaram o lugar ficaram chocados com o desmatamento acelerado para criar pastagens para alimentar vacas que mais tarde se tornariam famosas.

Uma reportagem publicada logo após a última ascensão de Renan ao poder tem o seguinte trecho, que parece explicar o que aconteceu: “Em 1990, depois de três mandatos de deputado, um baque. Derrotado para o governo do Estado, Renan fica sem cargo eletivo. Em Murici, a família também é derrotada na disputa de 1992. “Foi um tempo difícil. A produção de cana caiu e, como não era proibido (???!!!!), tivemos que vender madeira de lei [a fazenda ocupa parte da mata atlântica]“.

Em 2002 se estimava que 6 mil ha de florestas da área da reserva e arredores foram perdidos entre 1995 e aquele ano, o equivalente à própria área da ESEC, que hoje não deve ter metade disso coberto por florestas. O interessante é que este desmatamento se deu a meia hora de carro da sede estadual do IBAMA. Quando procurei saber desta inconsistência em visitas que fiz em 2002 e 2003, o pessoal do IBAMA local me disse que até pouco tempo a chefia do órgão era uma indicada por membros da família Calheiros, e que havia um processo no Ministério Público sobre o assunto. Aparentemente ainda preso no atoleiro da imunidade parlamentar e na rapidez” do STF.

Desmatamento na ESEC Murici parece ser um negócio de família. Olavo Calheiros foi atuado várias vezes por desmatamento ilegal na famosa fazenda Bananeira. Os autos de infração apontam derrubada e corte de árvores nativas e desmatamento no entorno da unidade de conservação, e de usar madeira ilegal em sua fábrica de refrigerantes. O deputado e seu irmão senador também apareceram no noticiário acusados de grilar terras no interior da ESEC.

Quando vejo nossos ruralistas e “desenvolvimentistas” dizendo que precisam desmatar mais para produzir, que reservas legais e APPs são entraves ao progresso, que devemos cuidar primeiro do crescimento econômico e da pobreza e depois do meio ambiente, olho para os desastres que são Alagoas e outras regiões onde aquela noção de “progresso” foi e está sendo implementada, como o oeste do Maranhão, o sul do Pará e o norte de Mato Grosso. E me pergunto como alguém pode ser tão estúpido.

Mas aí me lembro não apenas dos pilares de nossa cultura, mas também de nossa educação, que trava a saída de nossa economia do século XVI para o XXI. Já foi dito que quem ignora o passado está fadado a repeti-lo, como mostra o eterno retorno ao poder dos Calheiros da vida. Tristes, e ignorantes, trópicos.

A má impressão que o Brasil não alagoano tem sobre Renan e Olavo Calheiros (& família) poderia ser mitigada se o nobre senador e o distinto deputado tivessem a atitude filantrópica de doar à sociedade brasileira – que tanto os ajudou - as terras de sua propriedade no interior da Estação Ecológica, ou pelo menos batalhar para que ela seja efetivamente implantada e protegida, o que geraria empregos e aportaria recursos para Murici. Mesmo porque será necessário um trabalho insano de restauração ecológica. Seria uma maneira melhor de passar à História do que as que constam em suas biografias. Incluindo aquela capa da Playboy.

Fonte: O Eco.

* Fábio Olmos é biólogo e doutor em zoologia. Tem um pendor pela ornitologia e gosto pela relação entre ecologia, economia e antropologia.

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Consumo como ato de solidariedade

30 Janeiro, 2008 at 23:49 (Comportamento, Pegada Ecológica)

28/01/2008 

Por Helio Mattar *

Sinto um completo desalento toda vez que me dou conta da enorme confusão que vive o mundo nos dias de hoje. Parecemos esquecer que, a cada segundo, vivemos um novo e único momento do universo, um momento que nunca antes existiu e que nunca existirá novamente. Parecemos esquecer que vivemos um milagre cotidiano. Tratamos o mundo como se fosse absolutamente evidente, sem mistério.

Glenn Gould, o extraordinário pianista canadense, em uma entrevista na década de 70, apontava para a nossa indiferença cotidiana a esse milagre. Chamava a atenção para o que ensinamos a nossos filhos nas escolas. Ensinamos que dois e dois são quatro e que nossa capital é Brasília. Mas deveríamos também lhes ensinar o que eles de fato são, apontava Gould. Vocês sabem o que vocês são, meu filhos? Vocês são um milagre, uma maravilha! Em todo o mundo não há outro ser exatamente como cada um de vocês! Nos milhões de anos que se passaram e nos milhões de anos que ainda passarão nunca houve e nunca haverá ninguém como cada um de vocês!

A meu ver, se tivéssemos consciência do milagre que somos, talvez deixássemos de subordinar tão fortemente a nossa felicidade aos bens materiais, fugazes e perecíveis, que nos alienam da beleza das pessoas e do mundo, de tudo o que é perene e essencial, nos colocando em uma competição sem fim por um consumo cada vez mais intenso, como se, com isso, pudéssemos criar para nós mesmos uma identidade que nos tornasse diferentes dos nossos semelhantes…

Esta competição coloca em risco a todos os humanos, sem exceção. Na situação atual, em que 1,7 bilhões dos 6,6 bilhões dos habitantes do mundo consomem muito mais do que o necessário, enquanto os demais ou consomem o mínimo necessário ou abaixo desse mínimo, o uso de recursos naturais – ar respirável, água limpa, terras agricultáveis e absorção dos resíduos produzidos pela humanidade – já se encontra em um nível 25% acima do que a Terra é capaz de renovar. E se todos os habitantes do mundo viessem a consumir como os habitantes mais ricos do planeta, precisaríamos de quatro Terras para suprir todo esse consumo, um modelo de produção e consumo, portanto, inviável de ser expandido para toda a humanidade.

De outro lado, tudo o que ocorre no mundo está se tornando cada vez mais interdependente. O aquecimento global é emblemático dessa interdependência, ao levar os seus efeitos perversos a todos os cantos do planeta. Serve para demonstrar, cotidianamente, a correção da frase de Mariana Botta em artigo para a Folha de 26 de dezembro passado, pois “mostra que cada movimento nosso, por menor que seja, estabelece uma relação de causa e conseqüência com a vida de todas as pessoas” mesmo as que não conhecemos ou as que estão muito distante de nós. E serve para nos lembrar que, se a vida no planeta vier a perecer, nenhum de nós terá qualquer privilégio na escolha divina ou na terrena, e pereceremos também.

Nesse sentido, deveria fazer parte da educação mais elementar mostrar que é preciso inverter a lógica perversa da competição pelo consumo e começar a consumir com a consciência voltada para os outros e não apenas para nós mesmos, desta forma tornando o consumo um ato cotidiano de solidariedade.

Pode parecer estranho relacionar consumo e solidariedade. Mas não é solidário o ato de quem economiza os recursos naturais para que não faltem à geração atual e às futuras? Não é solidário o ato de quem busca limitar a emissão de gases de efeito estufa causada pelo seu consumo, para que o planeta não se aqueça ainda mais e as mudanças climáticas, que afetam a todos, não se aprofundem? Não é solidário o ato de quem busca escolher produtos não apenas pela boa qualidade ao menor preço, enfatizando apenas a sua conveniência individual, mas leva em conta as boas ações das empresas produtoras sobre a sociedade e a natureza, e que afetam a todos nós?

O mundo depende da solidariedade para que o viver não se constitua, para ninguém, em um ato de atrevimento. E para que todos possam ter a dignidade de ter algo a perder, não pensando jamais que este algo possa ser a própria vida. Ao repensar o que realmente precisamos, ao reutilizar os produtos até o final de sua vida útil, ao reciclar o que não pode mais ser utilizado, e, especialmente, ao escolher produtos e serviços de empresas mais social e ambientalmente responsáveis, estaremos, voluntária e cotidianamente, levando nossa solidariedade às pessoas e ao planeta por meio de nossos atos de consumo.

Ao consumir com consciência, nos tornamos agentes positivos de transformação, em que cada um estará dando um pouco de si para melhorar o mundo à sua volta, fazendo com que o milagre que somos não seja unicamente uma prova do mistério divino, mas fazendo realizar o divino que temos em nós.

Teremos então consumido solidariamente, com nossa consciência voltada para os outros e não somente para nós mesmos, contribuindo para dar significado a nossas vidas e para reconhecer o privilégio que nos é dado pelo milagre de existir, celebrando a vida e tudo de bom que ela pode trazer a todos nós, apenas passageiros que somos desta extraordinária nave terrena.

* Helio Mattar, 60, é Ph.D. pela Stanford University, foi idealizador, co-fundador e é Diretor Presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente.

(Envolverde/Mercado Ético)

 
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